quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Taxas moderadoras dos serviços de urgência

O governo do PSD/CDS brindou-nos com mais uma prenda natalícia ao aumentar as taxas moderadoras de acesso aos serviços de urgência. Enquanto as taxas de uma consulta no centro de saúde passaram para 5€, as urgências hospitalares passaram para 20€. Diz-nos o ministro da saúde, que um milhão de portugueses vão ficar isentos, como se isso descansasse os restantes 9 milhões que não irão usufruir dessa isenção. Não seria mais justo o estado financiar-se noutro momento que não o da doença, quando as pessoas estão fragilizadas, senão fisicamente, pelo menos emocionalmente? Em situação de doença todos são iguais. Quem tenha "altos rendimentos", pode e deve pagar mais ao estado, mas noutros momentos! Pode-o fazer quando recebe o vencimento (em que para vencimentos mais elevados paga impostos mais elevados), quando compra determinados artigos (que deveriam ser taxados consoante são ou não essenciais), mas nunca quando está em causa a sua saúde, ou até mesmo a sua vida! O que o governo está a fazer é penalizar quem está (ou pensa estar) doente, e não quem "pode" pagar (que para o ministro da saúde é quem tenha um rendimento superior a 628€ - onde é que este senhor vive?). Ora, dizendo-nos a constituição que a saúde é um direito tendencionalmente gratuito, estamos perante uma taxa que, a não ser inconstitucional, será no mínimo imoral. Imoral porque 20€ não moderam a ida à urgência de quem "pode", mas impedem quem "não pode". Não é justo! Fica uma pergunta sem resposta: quantos portugueses deixarão de ir à urgência por não terem 20€?
 
 
Carlos Canais

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Força dos Factos

De acordo com um relatório da OCDE, que traça o panorama das desiguladades sociais até 2008, Portugal reduziu mais as desigualdades em quatro anos do que a Grécia em vinte. De facto, e apesar de muito ainda haver por fazer nesta matéria, não deixa de ser revelador que foi durante o governo socialista, liderado por José Socrates, que mais se consegui combater as desigualdades sociais.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Boys, Boys.....

"O memorando de entendimento assinado com a troika refere expressamente que os presidentes e membros das administrações hospitalares "deverão ser, por lei, pessoas de reconhecido mérito na saúde, gestão e administração hospitalar" - uma medida a aplicar já no quarto trimestre deste ano. A assessoria do Ministério da Saúde defende, porém, que a obrigatoriedade de concursos para novos dirigentes apenas se aplica "nos casos dos institutos públicos e das direcções-gerais", ou seja, na administração directa do Estado. E alega que os hospitais EPE (entidades públicas empresariais) "não têm o mesmo estatuto" e a escolha fica nas mãos dos accionistas - que são os ministérios da Saúde e das Finanças."

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

My name is bond...eurobond

A Europa está perante um dilema. Por um lado temos a França e a Alemanha que se querem assumir como timoneiros. Por outro, temos os restantes países que vêem uma Europa mais solidária e equilibrada nos seus poderes.
Estamos perante uma crise que segue o seu rumo descendente, com um ponto de inflexão ainda não vislumbrado, e que tardará a aparecer se nada se fizer de diferente do que tem sido a política europeia.
Na segunda guerra mundial teve de haver uma intervenção sobre a arrasada economia europeia. As ideias intervencionistas do estado, keynesianas, proporcionaram a liquidez e regulação necessárias. O estado salvou o capitalismo. Irónico!…
Mais uma vez foram os estados com os seus avais que salvaram bancos, lhe deram liquidez, mas… os estados não estabeleceram regras fortes para o mercado. Estamos perante um domínio do mercado sobre o domínio da esfera política. Se os estados não mandam, então as suas independências como estados estão em causa.
Que deverá a Europa fazer?
Na minha opinião a solução de emitir euro-obrigações não pode ser descartada. Havendo um único devedor europeu os valores dos juros da dívida de alguns países seria substancialmente melhor, com uma taxa intermédia, aumentando a sua credibilidade e segurança. Seria pior para países como a Alemanha e a França que teriam de suportar juros de dívida maiores. Daí a sua resistência!
Claro que sem pressão, ou menor pressão de mercado, alguns governos tenderiam a não reduzir o seu défice encavalitando-se nos seus congéneres. A pressão política para redução do défice não tem sido suficiente. Apenas a realidade dos números e dívidas insustentáveis que levam o mercado a reacções, também muitas vezes, desproporcionadas, estão a levar os governos a medidas que estão a implodir a economia, com cortes cegos, que tanto chegam à despesa como à receita.
Como poderão então funcionar as Eurobonds?
Na minha opinião a pressão política, infelizmente pode não ser suficiente. Os estados têm de ter um vínculo mais forte que os obrigue a cumprir com metas orçamentais exigentes, mas que não ponham em causa o estado social, e o próprio projecto europeu.
Um orçamento europeu? Talvez uma aprovação europeia aos orçamentos nacionais que deverão seguir algumas regras e atingir uma série de metas (mínimas). Em caso de incumprimento, a simples saída do mercado de emissão conjunta de eurobonds, penso que seria suficiente. Esta pressão mista de política e economia talvez pudesse funcionar.
Esta é uma guerra económica…mundial. Medidas adequadas a esse contexto são necessárias. As agências de rating não podem deter o poder. Um árbitro de um jogo, não pode apostar dinheiro no resultado do jogo, sob pena de obviamente de o ir condicionar em seu favor. Talvez a solução estivesse numa  agência de rating sediada na ONU acordada entre todos os países, os quais seguissem determinadas normas internacionais de direito do trabalho, o cumprimento dos direitos humanos, e regras de mercado, e depois a jusante, critérios bem definidos na atribuição das respectivas classificações.
O eixo franco-alemão é quem manda na Europa? Vamos continuar com estas políticas neoliberais da ditadura do mercado…do mercado pouco ou nada regulado?

António Pedro Devesa

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ainda o orçamento de estado para 2012


Orçamento aprovado, funcionários públicos que ganhem mais de 600 euros mensais que paguem a crise! Parece ser esta a sina dos funcionários públicos, que no próximo ano (e promete-se também para o ano seguinte) vão receber menos dos 13º e 14º mês, ou até nem recebê-los, caso tenham a “sorte” de ter um salário mensal superior a 1100 euros. Mesmo assim, estes valores de referência foram a custo conseguidos pelo PS, que provou que o governo poderia ir mais longe, e sacrificar menos os seus empregados. Bastaria vontade política.
O que resulta de tudo isto é que o governo, apoiado pela sua maioria parlamentar, não penaliza todos os portugueses por igual. Mesmo que ganhe vários milhares de euros, quem não for funcionário público não será penalizado! Não é justo! Tal como não é justo que as empresas com milhões de euros de rendimentos não sejam penalizadas, nem os seus accionistas e gestores.
Afinal, para este governo, “ricos” são os funcionários públicos que ganham mais de 600 euros…

Carlos Canais

Travagem a fundo…para o fundo


Travagem a fundo…para o fundo

O orçamento foi aprovado! Caso seja promulgado pelo Presidente da República, estaremos prestes a viver um dos piores períodos da nossa história devido ao retrocesso económico, social e até civilizacional que o documento imporá.
Ao cortar os salários dos portugueses, nesta ordem de grandeza, vamos impor um aumento exponencial da pobreza, porque aos já existentes, se juntará uma grande fatia, da já pequena, classe média.
Ao aumentar o tempo de trabalho semanal dos trabalhadores estamos a incentivar um aumento de desemprego, para que as empresas façam o seu downsizing, minorar custos de produção e supostamente ficar mais competitivos. Esquecem que já temos dos salários mais baixos da Europa. Já produzimos a custos mais baixos que os nossos parceiros europeus! Em alternativa, necessitamos de inovação e criatividade na concepção dos produtos. Cortar com pessoas nas empresas é também baixar o nível de criatividade destas! É falacioso aceitar o que o governo diz: que esta medida serve para produzir mais…  mas para vender a quem? Há menos dinheiro na carteira das pessoas! As pessoas estão a consumir cada vez menos!
Também, o crédito malparado irá subir para valores nunca antes vistos por estas terras, e o número de famílias a declarar insolvência subirá vertiginosamente.
Outra consequência é a redução do consumo interno que apoiará a degradação da nossa economia e contribuirá para a deterioração, também, das economias de quem somos clientes e recursivamente, das economias exportadoras para estes…e assim sucessivamente, num fenómeno global e em cadeia.
Também o desinvestimento em áreas como a educação, comprometem o futuro a longo prazo. Este orçamento tem vistas curtas…só vêem ao perto. Aconselho uma mudança de lentes… Não esqueçamos que a educação é um bem que apoia o desenvolvimento, e este não se consegue apenas através do desenvolvimento académico e produção de resultados. A educação não é uma técnica! É um sistema complexo que nas suas diferentes componentes desenvolvem o ser humano e tornam o aluno uma melhor pessoa. Uma visão centrada apenas nos resultados académicos não produz melhores pessoas. Houve muitos ditadores com sucesso académico…
Ao cortar no investimento estamos a travar a fundo! A economia definha, os nossos parceiros definham, as exportações definham. É um retrocesso para níveis imprevisíveis.
Ninguém conhece uma medida inscrita neste orçamento que promova fortemente o desenvolvimento económico. Travamos tudo a fundo para irmos pelo ralo abaixo, numa espiral até…ao fundo.
António Pedro Devesa


Orçamento_2012


Ficou provado na Assembleia da República, que afinal havia margem orçamental, e que seria possível uma mais equilibrada distribuição dos sacrifícios impostos por um orçamento violento e injusto do PPD-PSD e do CDS-PP.
O PS lutou até ao fim para tornar este orçamento menos injusto, as propostas do PS permitiriam devolver pelo menos um dos subsídios aos Funcionários Públicos, contudo o Governo e a maioria de direita que o suporta mostraram-se intransigentes. Mas mesmo neste contexto,o PS conseguiu que ficassem de fora destes cortes cerca de mais 40 mil funcionários que a proposta inicial do Governo.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Documento verde ou documento negro?


 Como é sabido foi publicado, em Setembro, o Documento verde da Reforma da Administração Local.
Embora prefira outras cores, o verde é uma cor simpática que me parece estar a ser utilizada para maquilhar um documento que deveria ser negro.
Diz no seu preâmbulo “…uma reforma de gestão, uma reforma de território e uma reforma política do Poder Local.”
Mas pode alguma reforma partir de uma base que não é direita? 
Podemos falar eventualmente em ligeira reorganização, mas de reforma? 
Lembremo-nos que a atual divisão em distritos surgiu no século XIX - 1835 - com a extinção das prefeituras e das juntas gerais das províncias.
Estamos a “remendar” algo pensado para a realidade de há 180 anos!! E com que proveitos?
A poupança financeira que advém desta “reforma”, ou uma eventual maior eficiência dos serviços será quase incipiente e terá impactos negativos superiores a essa poupança, nomeadamente, na dificuldade em resolver atempadamente os problemas das populações, por uma evidente diminuição de proximidade ao poder político e administrativo.
Uma reforma administrativa tem de ter em conta a realidade contemporânea. As atuais vias de comunicação, a forma como as populações se relacionam com o local que habitam e se movimentam para o trabalho, o potencial económico agregador de determinada região que promove o todo como uma entidade coerente. Temos de pensar o todo de raíz.
Vamos fazer mais uma daquelas reformas que não reformam nada! Apenas maquilham.